Suprema Corte ouve nesta quarta argumentos sobre tentativa de Trump de demitir Lisa Cook do Fed

Montagem mostra Lisa Cook e Donald Trump SAUL LOEB and ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP A Suprema Corte dos Estados Unidos realiza nesta quarta-feira (21) uma se...

Suprema Corte ouve nesta quarta argumentos sobre tentativa de Trump de demitir Lisa Cook do Fed
Suprema Corte ouve nesta quarta argumentos sobre tentativa de Trump de demitir Lisa Cook do Fed (Foto: Reprodução)

Montagem mostra Lisa Cook e Donald Trump SAUL LOEB and ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP A Suprema Corte dos Estados Unidos realiza nesta quarta-feira (21) uma sessão para ouvir argumentos favoráveis e contrários à tentativa do presidente Donald Trump de demitir Lisa Cook do cargo de diretora do Federal Reserve, o banco central dos EUA. 🔎 Na prática, a Suprema Corte analisa se Trump tem poder para remover Lisa Cook do cargo. Embora o republicano tenha anunciado, em agosto de 2025, a demissão da diretora, a Justiça barrou a medida. A Casa Branca recorreu à Suprema Corte, que agora avalia o caso. Especialistas alertam que a independência do Fed está em jogo. Desde o início de seu segundo mandato, Trump tem buscado formas de pressionar o banco central a cortar os juros para estimular a atividade econômica. O Fed, no entanto, tem adotado cautela em suas decisões. Segundo o jornal “The New York Times”, o presidente da instituição, Jerome Powell, deve comparecer à audiência em defesa da autonomia do BC americano. Além de tentar de demitir Cook, Trump vinha insultando e pressionando Powell. Recentemente, ampliou a ofensiva contra o Fed e abriu uma investigação contra o economista por causa das reformas em prédios da instituição. O banqueiro central nega irregularidades e condenou a atitude da Casa Branca, afirmando que o episódio reforça uma sequência de pressões políticas sem precedentes sobre o Fed para forçar a queda dos juros nos EUA. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 As justificativas de Trump Lisa Cook, que também estará presente nas sustentações orais nesta quarta-feira, é acusada pela gestão Trump de fraude hipotecária — o que, segundo a Casa Branca, configuraria “justa causa” para sua demissão. (leia mais abaixo) A gestão Trump afirma que a diretora do Fed cometeu fraude ao declarar duas residências como principais, supostamente para obter melhores condições de financiamento imobiliário. O caso foi encaminhado ao Departamento de Justiça. A diretora do Fed nega as acusações, baseadas em documentos de empréstimo assinados antes de seu ingresso no Federal Reserve. Em outubro, a Suprema Corte determinou provisoriamente que ela poderia permanecer no cargo enquanto o processo judicial segue em tramitação. A leitura é de especialistas e do mercado financeira é de que, caso a instância máxima da Justiça americana autorize a demissão de Cook, Trump e futuros presidentes terão brecha para destituir dirigentes do Fed e interferir na independência da instituição. (saiba mais abaixo) Após a medida do republicano, inédita na história dos EUA, um grupo de 18 ex-diretores do Federal Reserve, ex-secretários do Tesouro e outros altos funcionários que atuaram em diferentes governos pediu que a Suprema Corte rejeite a petição do presidente americano. Lei busca proteger o Fed de interferência política Ao criar o Fed, em 1913, o Congresso dos EUA aprovou o Federal Reserve Act, que incluiu medidas para proteger o banco central de interferências políticas. A lei estabelece que os diretores só podem ser removidos pelo presidente “por justa causa”, embora não defina o termo nem indique o procedimento para a remoção. Até hoje, esse dispositivo nunca havia sido testado em tribunal. Em 9 de setembro, uma juíza distrital em Washington decidiu que as alegações de Trump de que Cook teria cometido fraude hipotecária não constituíam motivos suficientes para sua destituição. A diretora do Fed processou Trump em agosto, após o presidente anunciar sua destituição. Ela argumentou que as alegações não lhe conferiam autoridade legal para removê-la e serviam apenas como pretexto em razão de seu posicionamento nas decisões sobre a taxa de juros nos EUA. O que esperar da decisão Mesmo que o resultado favoreça Lisa Cook, a decisão poderá servir como um roteiro sobre como um presidente pode remover um membro da direção do banco central, segundo analistas jurídicos consultados pela agência Reuters. Isso porque, embora a manutenção de Cook no cargo seja considerada o desfecho mais provável, uma decisão contrária poderia evidenciar as falhas na tentativa de demissão. Dessa forma, o processo indicaria o caminho necessário para caracterizar a "justa causa" exigida para remover um diretor da autoridade monetária, alimentando possíveis futuras estratégias. "A porta está aberta", disse à Reuters ex-presidente do Fed de Cleveland Loretta Mester, atualmente professora adjunta da Wharton School of Business da Universidade da Pensilvânia. "A questão é como isso será resolvido de uma forma que não permita que quem quer que esteja no gabinete do presidente simplesmente possa decidir não querer uma pessoa, acusá-la de algo e isso ser o suficiente", acrescentou. Cadeiras no Fed No segundo semestre de 2025, Trump passou a se dedicar à indicação de nomes alinhados à sua agenda econômica para a diretoria do Federal Reserve. O republicano já nomeou Stephen Miran para substituir Adriana Kugler, diretora que antecipou sua saída do cargo, em agosto. Caso a Justiça confirme a demissão de Lisa Cook, Trump terá garantido ao menos duas indicações para a diretoria do Fed. O cargo de presidente da instituição também está no horizonte, já que o mandato de Powell se encerra em maio. Em meio às movimentações no Fed, caso Trump alcance maioria de aliados no conselho da instituição — que tem sete membros —, ele terá maior influência sobre a aprovação das nomeações nos 12 bancos regionais. Assim, ampliaria sua interferência sobre as decisões de juros. Quem é Lisa Cook Quem é Lisa Cook, diretora do Fed que decidiu enfrentar Trump Lisa Cook fez história em 2022 ao se tornar a primeira mulher negra indicada para a diretoria do Fed, com mandato até 2038. Ela foi professora de economia e relações internacionais na Universidade Estadual de Michigan, economista na Universidade de Oxford e doutora pela Universidade da Califórnia, Berkeley. Como pesquisadora, investigou os impactos da discriminação na economia americana e como as recessões afetam mais os pobres. Fala cinco idiomas, incluindo russo, e é especialista em desenvolvimento internacional, tendo participado da recuperação de Ruanda após o genocídio de 1994. Cook foi indicada para o cargo pelo presidente democrata Joe Biden. Ao longo de sua carreira, integrou o Conselho de Assessores Econômicos de Barack Obama e atuou no Departamento do Tesouro dos EUA. Como uma das sete integrantes da diretoria do Fed, Cook participa diretamente das decisões sobre a taxa de juros nos EUA — o principal instrumento para conter a inflação e estimular a economia. Nos últimos meses, ela defendeu a manutenção das taxas, adotando postura cautelosa diante das pressões inflacionárias e da busca por estabilidade econômica. * Com informações da agência de notícias Reuters