Rádio, gambiarra e fitas: radialista de 80 anos conta como viveu todos títulos do Brasil nas Copas em RR

Rádio, gambiarra e fitas: radialista de 80 anos conta como viveu todos títulos do Brasil Acompanhar a Seleção Brasileira em Roraima há cinco décadas exigi...

Rádio, gambiarra e fitas: radialista de 80 anos conta como viveu todos títulos do Brasil nas Copas em RR
Rádio, gambiarra e fitas: radialista de 80 anos conta como viveu todos títulos do Brasil nas Copas em RR (Foto: Reprodução)

Rádio, gambiarra e fitas: radialista de 80 anos conta como viveu todos títulos do Brasil Acompanhar a Seleção Brasileira em Roraima há cinco décadas exigiu do radialista Carlos Alberto Alves, de 80 anos, mais do que amor ao futebol. Para viver os cinco títulos de Copa do Mundo do Brasil no Norte do país, ele precisou do rádio, de fitas cassetes e até de uma antena de alumínio improvisada. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Nascido em Manaus e morador de Boa Vista desde 1967, o comunicador vivenciou as transformações tecnológicas nas transmissões esportivas no estado. "O jogo passava hoje, no outro dia o avião trazia o videoteipe e à noite a gente assistia. Se o avião atrasava, demorava dois dias para assistir", relembra Carlos Alberto. Embora, para os dias atuais, essa rotina pareça uma saga, Carlos Alberto vê as mudanças como uma transformação natural do tempo. Se antes era preciso esperar dias para assistir a uma partida, hoje basta ligar a televisão. Mas uma coisa nunca mudou: ele não perde um jogo da seleção. "Todos temos que fazer nossa parte para comemorar as vitórias que com certeza virão", diz. Entenda 🔎: Em 1958 e 1962, Carlos Alberto Alves ouviu as vitórias do Brasil pelo rádio no Amazonas. Em 1970, em Roraima, acompanhou parte dos jogos por videoteipe e parte por um sinal de TV improvisado com antena de alumínio. Em 1994, trabalhou na cobertura pelo rádio. Só em 2002, pôde ver o quinto título ao vivo pela televisão a cores. Carlos Alberto viu grandes ídolos do futebol, como Pelé, Garrincha, Zagallo, Romário e Ronaldo. Hoje, acompanha a nova geração de craques, como Vini Jr. Entre as Copas que considera mais marcantes está a de 1970, quando assistiu pela primeira vez à seleção brasileira e ainda teve a oportunidade de cobrir um amistoso da equipe que entrou para a história do futebol. O radialista Carlos Alberto Alves, de 80 anos, acompanhou todos os cinco títulos mundiais do Brasil em Copas. João Gabriel Leitão/g1 RR Gambiarra para ver o tri Na Copa de 1970, o sinal de televisão ao vivo ainda não existia em Boa Vista. A solução para acompanhar o torneio em tempo real surgiu de um pedido do então governador Hélio Campos ao pioneiro das telecomunicações em Roraima, Domingos Leitão. De acordo com o jornalista Francisco Cândido, o técnico em rádio Domingos Leitão construiu e instalou uma antena de alumínio na própria casa. O equipamento sintonizou canais da Venezuela, da Colômbia e da Guiana. Para o público ouvir a narração em português, ele colocou um rádio embaixo da mesa da televisão na frequência da Rádio Tupi, do Rio de Janeiro. A casa de Domingos Leitão lotou de vizinhos com banquinhos de madeira para acompanhar os jogos e entre eles estava Carlos Alberto Alves. Anos antes dessa chegada da televisão, as transmissões dependiam exclusivamente do rádio. Pelo aparelho, o comunicador usou para ouvir as vitórias de 1958 e 1962, quando ainda era adolescente e morava no Amazonas. Já em Roraima, em 1994, ele encarou o obstáculo de cobrir o torneio como radialista. Sem equipamento para transmitir ao vivo das ruas, a equipe gravava a festa dos torcedores após os jogos em fitas cassete e levava para o estúdio, para simular uma transmissão em tempo real. "Corríamos lá com gravador, gravávamos as pessoas, voltávamos pro estúdio com a fita cassete e colocávamos o áudio. O locutor dizia que estava falando direto da praça. Aquilo criava um clima tão legal", conta o comunicador. Apenas no último título conquistado pelo Brasil, em 2002, o acesso à TV a cores com sinal imediato unificou a festa. "Ali já foi mais tranquilo", diz o radialista. Seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970, pouco depois de amistoso preparatório em Manaus. Getty Images Leia também: Ex-radialista de Roraima conta como foi narrar jogo de Pelé em Manaus; ouça Zico, do Flamengo, premiou ídolo do futebol roraimense em 1978 Saiba como foi o jogo da Seleção do Tri em Manaus Encontro com a Seleção de 70 Em abril de 1970, o radialista viajou a Manaus com uma comitiva da imprensa roraimense. O objetivo era cobrir um amistoso da Seleção Brasileira contra a Seleção Amazonense, antes do embarque para a Copa do Mundo no México. Carlos Alberto ficou na beira do gramado no estádio Vivaldão. No local, pôde ver craques como Pelé, Tostão, Clodoaldo, Rivelino e Jairzinho, que faziam parte da equipe do técnico Zagallo. "Não tínhamos autorização para ter acesso a eles, mas estávamos ali próximos", afirma. Aquele time viria a se tornar a "Seleção do Tri", em referência ao terceiro título conquistado em junho daquele ano. Zagallo já comandava a equipe na época devido à demissão de João Saldanha, que ocorreu pouco antes do jogo em Manaus. Carlos Alberto conta que Saldanha, que foi o primeiro técnico da Seleção de 1970, ecusou a ordem do ex-presidente da República, Emílio Médici, para convocar o atacante Dadá Maravilha e acabou retirado do cargo. O encontro de Carlos Alberto com Saldanha aconteceu apenas oito anos depois, em 1978. Saldanha viajou a Boa Vista pela Rádio Globo para a cobertura de um amistoso do Flamengo contra a seleção roraimense. A partida teve a presença de Zico, que homenageou o atacante Roberto Silva, ex-jogador do Baré Esporte Clube de Roraima e ídolo do futebol local. Antes do jogo no estádio Canarinho, o radialista entrevistou João Saldanha em frente a um hotel de Boa Vista e o momento foi registrado em uma foto. Veja na foto abaixo. Carlos Alberto Alves relembra encontro com ex-técnico da Seleção João Saldanha e cobertura de jogo da Seleção de 70 em Manaus. João Gabriel Leitão/g1 RR Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.