Quatro escolas desfilam na 2ª noite do Grupo Especial com mais homenagens e uma viagem ao Candomblé baiano

Saiba como é calculada a data do carnaval Mais 4 escolas dão prosseguimento, nesta segunda-feira (16), aos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Pisam...

Quatro escolas desfilam na 2ª noite do Grupo Especial com mais homenagens e uma viagem ao Candomblé baiano
Quatro escolas desfilam na 2ª noite do Grupo Especial com mais homenagens e uma viagem ao Candomblé baiano (Foto: Reprodução)

Saiba como é calculada a data do carnaval Mais 4 escolas dão prosseguimento, nesta segunda-feira (16), aos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Pisam na Avenida Mocidade, Beija-Flor, Viradouro e Tijuca. A 2ª noite terá homenagens a personalidades — em vida e póstumas; e uma viagem à maior festa de Candomblé do mundo. O g1 vai transmitir na íntegra todos os desfiles do Grupo Especial. Na página especial, você também acompanha destaques das escolas, trechos das apresentações e as últimas notícias da Sapucaí. Nesta 2ª noite, teremos: Uma exaltação a Rita Lee e sua obra libertária; Um ritual centenário do Recôncavo Baiano; Uma celebração em vida a Mestre Ciça; E uma homenagem a Maria Carolina de Jesus e a seus livros. Quatro escolas saíram no domingo (15), e mais 4 se apresentam nesta terça (17). Clique na sua escola para ir direto à seção dela. Mocidade Independente de Padre Miguel Beija-Flor de Nilópolis Unidos do Viradouro Unidos da Tijuca Horários dos desfiles do Grupo Especial 1. Mocidade Independente de Padre Miguel Cartaz do enredo da Mocidade de 2026 Reprodução Resumo rápido Que horas desfila: esquenta às 21h45, início às 22h Enredo: “Rita Lee — a padroeira da liberdade”. Cores: 🟢⚪ Verde e branco Quantos títulos no Grupo Especial: 6 Ano do último título: 2017 (relembre aqui como foi) O enredo em 10 pontos Enredo e samba: Mocidade vai destrinchar a trajetória da Rita Lee, a rainha do rock A chegada de Rita Lee como figura libertária que rompe padrões num Brasil marcado pela repressão e pelo conservadorismo. A entrada da mulher no território do rock, até então dominado por homens, com atitude transgressora e irreverente. A mistura do rock da contracultura com ritmos brasileiros na Tropicália e nos Mutantes, criando uma revolução estética e sonora. A construção de uma imagem artística ligada à liberdade, ao deboche e à quebra de regras em tempos de ditadura. A decisão de seguir carreira solo, ampliando caminhos criativos e afirmando a autonomia artística. O enfrentamento da censura, da repressão e da prisão sem abrir mão da provocação e da ousadia. A obra que canta o amor, o desejo, o prazer e a sexualidade feminina de forma direta e sem culpa. A influência de Rita Lee na emancipação das mulheres e na quebra de tabus sobre sexo, corpo e liberdade. A multiplicidade da artista: cantora, compositora, escritora, apresentadora, ativista e defensora dos animais. A consagração de Rita Lee como Padroeira da Liberdade, celebrada pela Mocidade num carnaval de festa, alegria e irreverência. Cante o samba Mocidade vai cantar Rita Lee; veja o samba Autores: Jeffinho Rodrigues, Diego Nicolau, Xande de Pilares, Marquinho Índio, Richard Valença, Orlando Ambrósio, Renan Diniz, Lauro Silva, Cleiton Roberto e Cabeça do Ajax Intérprete: Igor Vianna Mocidade, êêêêê Minha Mocidade, voltei por você! Desbaratina a razão, se joga, meu bem No céu, no mar, na lua... na Vila Vintém! Um belo dia resolvi mudar Cansei dessa gente careta Aos seus bons costumes eu sinto informar Formei outras ovelhas negras A tropicalista do verbo sem freio Pra farda, uma língua e o dedo do meio Cabelo de fogo e a lente encarnada Mutante da pele marcada Transo rock e samba pra sentir prazer Agora só falta você (yeah, yeah) Agora só falta você Sou independente, fácil de amar Livre de qualquer censura Vem, baila comigo, só de te olhar... Posso imaginar loucuras Amor é pra sempre O corpo compondo entre a boca e o ventre Dedilha a guitarra (lá láiá) Arranca as amarras e me bebe quente Meu doce vampiro além do querer Desculpe o auê! Se é caso sério, eu lanço perfume Aumenta o volume que eu banco a verdade Não adianta prender Santa Rita “Leeberdade” Vem, seja Pagu, se entrega Quem foge ao padrão vence a regra Sou voz feminina plural Assino a estrela no seu carnaval Quem é quem Fabíola de Andrade no ensaio da Mocidade Anderson Bordê/AgNews Carnavalesco: Renato Lage Diretores de Carnaval: Marcelo Plácido e Wallace Capoeira Intérprete: Igor Vianna Mestre de Bateria: Dudu Rainha de Bateria: Fabíola Andrade Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Diogo Jesus e Bruna Santos Comissão de Frente: Marcelo Misailidis 2. Beija-Flor de Nilópolis Cartaz do enredo da Beija-Flor para 2026 Reprodução Resumo rápido Que horas desfila: entre 23h20 e 23h30 Enredo: “Bembé” Cores: 🔵⚪ Azul e branco Quantos títulos no Grupo Especial: 15 Ano do último título: 2025 (relembre aqui como foi) O enredo em 10 pontos Enredo e Samba: Beija-Flor leva para a Sapucaí o Bembé do Mercado A ocupação do espaço público como ato de liberdade, resistência e autorreparação do povo preto após a abolição sem reparações. O surgimento do Bembé do Mercado, em Santo Amaro da Purificação, como afirmação do Candomblé nas ruas. A memória de João de Obá e do povo que transforma fé, corpo e ancestralidade em gesto político. O despertar do Largo do Mercado ao som dos atabaques, transformando o espaço urbano em território sagrado. A vida comunitária do mercado, onde comida, troca, trabalho e ritual se misturam como pulsos de existência. A presença da arte preta do Recôncavo, com samba de roda, capoeira, Nego Fugido, Maculelê e outras tradições. Os rituais do Candomblé, o xirê, os cânticos e a comunhão entre Orum e Ayê no chão da praça pública. A entrega das oferendas a Oxum e Yemanjá como agradecimento, proteção e pedido de continuidade da vida. O cortejo pelas ruas de Santo Amaro até o mar de Itapema, unindo cidade, rio e oceano em ritual coletivo. A travessia simbólica do Bembé até a Sapucaí, onde a Beija-Flor transforma a Avenida em espaço de fé, festa e resistência. Cante o samba A Beija-Flor vai levar o maior candomblé de rua do mundo pra Sapucaí; veja o samba Autores: Sidney de Pilares, Marquinhos Beija-Flor, Chacal do Sax, Cláudio Gladiador, Marcelo Lepiane, João Conga, Salgado Luz, Julio Assis, Diego Oliveira, Diogo Rosa, Manolo, Julio Alves, Claudio Russo e Léo do Piso Intérpretes: Ninno do Milênio e Jéssica Matin Atabaque ecoou, liberdade que retumba Isso aqui vai virar macumba! Deixa girar que a rua virou Bembé Deixa girar que a rua virou Bembé O meu Egbé faz valer o seu lugar Laroyê, Beija-Flor, alafiá! Não me peça pra calar minha verdade Pois a nossa liberdade não depende de papel Em Santo Amaro, todo Treze de Maio Nossa ancestralidade é festejada à luz do céu Ê ê… João de Obá, griô sagrado Ê ê… herança viva no Mercado Cantando, saudamos a nossa fé Às nações do Candomblé Onde a paz e o respeito Ressoam no couro do axé Funfun Não tememos ataque algum A rua, ocupamos por direito Põe erva pra defumar Um ebó pra proteger Saraiêiê bokunan, saraiêiê! Nosso povo é da encruza Arte preta de terreiro É mistura de cultura Multidão de macumbeiro O povo gira no xirê, a celebrar… A fé se espalha em cada canto, em cada olhar Transborda magia no toque do tambor Às Yabás, o balaio e o amor… Yemanjá alodê no mar (no mar) É d’Oxum toda beleza do ibá É reza no corpo, é dança na alma A rosa, a palma, o omolocum… É Dona Canô de todo recanto Evoco a Baixada de Todos os Santos! Quem é quem Lorena Raissa, rainha de bateria da Beija-Flor de Nilópolis Reprodução/ TV Globo Carnavalesco: João Vitor Araújo Diretor de Carnaval: Marquinho Marino Intérpretes: Ninno do Milênio e Jessica Martin Mestres de Bateria: Rodney e Plínio Rainha de Bateria: Lorena Raissa Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Claudinho e Selminha Sorriso Comissão de Frente: Jorge Teixeira e Saulo Finelon 3. Unidos do Viradouro Cartaz do enredo da Viradouro de 2026 Reprodução Resumo rápido Que horas desfila: entre 0h55 e 1h15 Enredo: “Para cima, Ciça!” Cores: 🔴⚪Vermelho e branco Quantos títulos no Grupo Especial: 3 Ano do último título: 2024 (relembre aqui como foi) O enredo em 10 pontos Enredo e Samba: Viradouro 2026 A celebração de Mestre Ciça em vida, como símbolo do samba, da bateria e da história da Unidos do Viradouro em seus 80 anos. A origem do samba moderno no Estácio, berço de uma revolução rítmica que mudou o jeito de desfilar e sambar. A formação de Ciça no chão do Carnaval, primeiro como passista e mestre-sala, aprendendo o samba pelo corpo. A transição do bailarino para o percussionista, desenhando o ritmo com baquetas, caixas e surdos. A consagração de Ciça como Mestre de Bateria na Estácio de Sá, com inovações que marcaram época e renderam títulos. A criação de uma linguagem própria na bateria, com pausas, suspensões e ousadias que encantaram a Sapucaí. A passagem de Ciça por diferentes escolas e territórios do samba, espalhando seu estilo e sua influência. A chegada à Viradouro e a transformação da bateria em um furacão rítmico, misturando técnica, magia e ancestralidade. O papel da bateria como espaço de aprendizado coletivo, disciplina, convivência e formação humana. A Apoteose como afirmação de Ciça como lenda viva do carnaval, cujo legado segue pulsando além do desfile. Cante o samba Viradouro vai homenagear o mestre Ciça; veja o samba Autores: Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet, Anderson Lemos, Sandrinho e Thiago Meiners Intérprete: Wander Pires Se eu for morrer de amor, que seja no samba Sou Viradouro, onde a arte o consagrou Não esperamos a saudade pra cantar Do mestre dos mestres, herdei o tambor Eu vi… a vida pulsar como fosse canção Milhões de compassos pra eternizar Em cada batida do meu coração O som que reflete o seu batucar Lá, onde o samba fez berço, do alto do morro Um menino orgulha Ismael, bicho novo Forjado nas garras do velho leão Contam no Largo do Estácio O destino em seu passo Que fez, pouco a pouco, uma chama acender Traz surdo, tarol e repique pro mestre reger Quando o apito ressoa, parece magia Num Trem Caipira, no olhar da baiana Medalha de Ouro, suingue perfeito Que marca no peito da escola de samba Se a vida é um enredo, desfilou outros amores Maestro fez do couro sinfonia Na ousadia dos seus tambores Peça perfeita pra me completar Feiticeiro das evocações Atabaque mandou te chamar Pra macumba jogar poeira No alto, vai resistir a caixa de Moacyr Legado do Mestre Caveira Sou eu mais um batuqueiro a pulsar por você Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender E, hoje, aos teus pés Somos todos um nessa Avenida Num furacão que nunca vai ter fim Nossa história não encontra despedida Quem é quem Juliana Paes no minidesfile da Viradouro Leo Franco/AgNews Carnavalesco: Tarcísio Zanon Diretores de Carnaval: Alex Fab e Dudu Falcão Intérprete: Wander Pires Mestre de Bateria: Ciça Rainha de Bateria: Juliana Paes Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Julinho e Rute Comissão de Frente: Rodrigo Negri e Priscilla Mota 4. Unidos da Tijuca Cartaz do enredo da Unidos da Tijuca para 2026 Reprodução Resumo rápido Que horas desfila: entre 2h30 e 3h Enredo: “Carolina Maria de Jesus” Cores: 🔵🟡Azul e amarelo Quantos títulos no Grupo Especial: 4 Ano do último título: 2014 (relembre aqui como foi) O enredo em 10 pontos Enredo e samba: Unidos da Tijuca homenageia a escritora Carolina Maria de Jesus A infância de Bitita no interior de Minas Gerais, marcada pela oralidade, pela sabedoria dos mais velhos e pelo desejo de conhecer as palavras. A passagem de Bitita a Carolina Maria de Jesus, quando entende que a escrita e a assinatura são formas de existir no mundo. A descoberta precoce do racismo e da falsa promessa da abolição, vivida na pele de uma mulher negra e pobre. A violência sofrida por ousar estudar, ler e carregar um dicionário, símbolo do saber negado. A migração em busca de outros caminhos e a experiência do trabalho doméstico, sem abrir mão da vocação literária. A chegada a São Paulo e o destino imposto às margens da cidade, na favela do Canindé. A sobrevivência como catadora de papel e mãe, transformando restos em sustento e em escrita. A publicação de “Quarto de Despejo” e a exposição crua da miséria urbana, que incomodou elites e autoridades. O silenciamento posterior da escritora quando tentou romper o papel limitado de “favelada que escreve”. A permanência do legado de Carolina Maria de Jesus como voz dos marginalizados e inspiração para outras gerações de escritoras e escritores negros. Cante o samba Tijuca canta Carolina Maria de Jesus; veja o samba Autores: Lico Monteiro, Samir Trindade, Leandro Thomaz, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Telmo Augusto, Gigi da Estiva e Juca Intérprete: Marquinhos Art’Samba Muda essa história, Tijuca! Tira do meu verso a força pra vencer Reconhece o seu lugar e luta Esse é nosso jeito de escrever Eu sou filha dessa dor Que nasceu no interior de uma saudade Neta de Preto Velho Que me ensinou os mistérios Bitita cor, retinta verdade Me chamo Carolina de Jesus Dele herdei também a cruz Dele herdei também a cruz Olhe em mim, eu tenho as marcas Me impuseram sobreviver Por ser livre nas palavras Condenaram meu saber Fui a caneta que não reproduziu A sina da mulher preta no Brasil Os olhos da fome eram os meus Justiça dos homens não é maior que a de Deus Meu quarto foi despejo de agonia A palavra é arma contra a tirania Sonhei sobre as páginas da vida Ilusões tolhidas no sistema algoz Que tenta apagar nossa grandeza Calar a realeza que resiste em nós Dos salões da burguesia aos barracos do Borel Onde nascem Carolinas Não seremos mais os réus Por tantas Marias que viram seus filhos crucificados Nas linhas da vida, verbo na ferida, deixei meu legado Meu país nasceu com nome de mulher Sou a liberdade, mãe do Canindé Quem é quem Mileide Mihaile no ensaio da Tijuca Anderson Bordê/AgNews Carnavalesco: Edson Pereira Diretores de Carnaval: Fernando Costa e Elisa Fernandes Intérprete: Marquinhos Art’Samba Mestre de Bateria: Casagrande Rainha de Bateria: Mileide Mihaile Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Matheus Miranda e Lucinha Nobre Comissão de Frente: Bruna Lopes e Ariadne Lax