Prematuros terão acesso à proteção contra VSR o ano inteiro; planos não poderão mais restringir cobertura
Vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) Adobe Stock Bebês prematuros atendidos por planos de saúde passam a ter acesso à proteção contra o ví...
Vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) Adobe Stock Bebês prematuros atendidos por planos de saúde passam a ter acesso à proteção contra o vírus sincicial respiratório (VSR) durante todo o ano. A mudança, aprovada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e em vigor desde domingo (25), amplia o acesso ao nirsevimabe, anticorpo indicado para prevenir formas graves da infecção. O VSR é o principal causador da bronquiolite —inflamação das pequenas vias aéreas dos pulmões— e responde por uma parcela importante das internações de bebês nos primeiros meses de vida. Embora apresente períodos de maior circulação no país, o vírus continua presente ao longo de todo o ano. Na avaliação da diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) Flávia Bravo, a nova regra elimina uma barreira que deixava parte dos prematuros sem acesso à proteção. Agora no g1 Mudança acaba com limitação ligada à sazonalidade A cobertura do nirsevimabe já era obrigatória para prematuros na saúde suplementar. O que muda agora é que os planos não poderão mais restringir o acesso aos meses tradicionalmente associados ao pico de circulação do VSR. Bebês nascidos fora dessa janela deixavam de ter cobertura mesmo pertencendo ao grupo de maior risco para complicações da doença. Segundo Bravo, a alteração também facilita a organização da assistência. Com a proteção disponível durante todo o ano, a aplicação pode ser planejada ainda na maternidade, sem depender do calendário epidemiológico. Por que a bronquiolite preocupa pediatras O vírus sincicial respiratório infecta pessoas de todas as idades e costuma causar sintomas semelhantes aos de um resfriado. Em bebês pequenos, porém, a infecção pode atingir as regiões mais profundas dos pulmões e desencadear bronquiolite. A doença provoca inflamação e acúmulo de secreções nos bronquíolos, estruturas responsáveis pela passagem do ar. O resultado pode ser chiado, dificuldade respiratória, queda da oxigenação e necessidade de internação. Estima-se que praticamente todas as crianças tenham contato com o VSR até os 2 anos de idade. As formas mais graves, entretanto, se concentram nos primeiros meses de vida. Prematuridade aumenta risco de hospitalização Entre os bebês mais vulneráveis estão os prematuros. De acordo com a SBIm, eles nascem com pulmões e vias respiratórias menores, além de um sistema imunológico menos amadurecido. Essa combinação aumenta o risco de evolução para quadros graves, necessidade de terapia intensiva e morte. É por esse motivo que as estratégias de prevenção contra o VSR costumam priorizar esse grupo. Anticorpo não impede a infecção, mas reduz casos graves Diferentemente das vacinas tradicionais, o nirsevimabe não ensina o organismo a produzir anticorpos. Ele já contém o anticorpo pronto para reconhecer e neutralizar o vírus. Dessa forma, mesmo que a criança seja infectada, a chance de desenvolver complicações graves diminui significativamente. O objetivo principal é reduzir hospitalizações, admissões em unidades de terapia intensiva e mortes relacionadas ao VSR. Outro aspecto destacado pela especialista é a faixa etária contemplada. Enquanto o Programa Nacional de Imunizações oferece o anticorpo para prematuros de até 6 meses, a cobertura dos planos de saúde alcança crianças com até 12 meses de idade, alinhando-se às recomendações das sociedades médicas. Sinais que exigem atenção dos pais Os primeiros sintomas podem lembrar um resfriado comum, mas alguns sinais indicam necessidade de avaliação médica. Entre eles estão respiração acelerada, esforço para respirar, movimentação intensa das narinas, afundamento das costelas durante a respiração, chiado, dificuldade para mamar, sonolência excessiva e redução importante da atividade habitual. Em casos mais graves, podem surgir lábios arroxeados e sinais de baixa oxigenação.