Polícia diz que quadrilha escondia cobre furtado em comunidades do Comando Vermelho e movimentou R$ 417,9 milhões

Polícia diz que quadrilha escondia cobre furtado em comunidades do Comando Vermelho Uma quadrilha operava com uma verdadeira ‘estrutura empresarial’ para f...

Polícia diz que quadrilha escondia cobre furtado em comunidades do Comando Vermelho e movimentou R$ 417,9 milhões
Polícia diz que quadrilha escondia cobre furtado em comunidades do Comando Vermelho e movimentou R$ 417,9 milhões (Foto: Reprodução)

Polícia diz que quadrilha escondia cobre furtado em comunidades do Comando Vermelho Uma quadrilha operava com uma verdadeira ‘estrutura empresarial’ para furtar cabos de cobre no RJ, de acordo com a Polícia Civil. As investigações apontaram que, após o crime, os principais pontos de recebimento do material furtado no Rio eram os Complexos do Alemão e Penha e o Morro do Urubu, entre Pilares e Tomás Coelho, áreas controladas pelo Comando Vermelho. Segundo a polícia, os criminosos da facção criminosa cobravam para dar proteção aos produtos furtados. Além do RJ, o bando atuava também em São Paulo, Minas e em Tocantins. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Na manhã desta segunda-feira (23), a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) deflagrou mais uma etapa da Operação Caminhos do Cobre para desarticular a quadrilha. Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão contra 31 alvos no RJ, São Paulo, Minas Gerais e Tocantins. Entre os endereços estão siderúrgicas de fora do estado. Até às 11h50, 2 pessoas haviam sido presas em flagrante. Em um dos galpões a polícia encontrou mais de R$ 131 mil em espécie Reprodução/TV Globo De acordo com a DRF, o esquema funcionava de madrugada: caminhões retiravam cabos subterrâneos enquanto batedores de moto bloqueavam ruas e monitoravam a aproximação policial. Depois, o material era levado para galpões das comunidades do Comando Vermelho onde era fracionado e, em seguida, vendido a ferros‑velhos e recicladoras por meio de notas fiscais frias. Segundo a investigação, o sucesso do grupo se explicava pela divisão de tarefas em núcleos (furto, logística, receptação e financeiro) e por uma cadeia de lavagem que misturava cobre lícito e ilícito para confundir a origem — prática que garantiu a movimentação de R$ 417,9 milhões. “Eles sabem da dificuldade que a polícia tem de realizar operações no local para esse tipo de fiscalização. Por isso, traficantes do Comando Vermelho verificaram mais uma fonte de renda, cobrando altos valores para permitir a atividade criminosa ali e oferecendo proteção armada para impedir que a polícia recupere o material furtado”, disse o delegado Thiago Bezerra, da DRF, que completou: “Muitas empresas de fora já estavam baixadas, sem CNPJ ativo, mas continuavam remetendo valores aos principais investigados, o que mostra que a receptação e a remessa permaneciam ativas”, ressaltou, ao apontar indícios de uso de empresas-laranja na etapa financeira. Em um dos galpões, em Mesquita, na Baixada Fluminense, foram apreendidos R$ 131 mil em espécie, além de documentos, pen drives e computadores levados para a DRF. Um homem foi preso em flagrante em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, com cabos furtados — técnicos da Light confirmaram que o material era da concessionária. Cabos da Light que haviam sido roubados foram encontrados em Campo Grande Reprodução/TV Globo A polícia agora rastreia o destino final do cobre para identificar empresas compradoras em outros estados, inclusive siderúrgicas eventualmente alimentadas por esse fluxo clandestino. “Nosso foco é cortar o dinheiro do crime. A cada fase, reunimos mais lastro documental para chegar a quem compra o cobre e sustenta o ciclo de furtos”, concluiu o delegado.