Peter Mandelson: polícia de Londres faz buscas em casas ligadas a político casado com brasileiro envolvido em escândalo de Epstein, diz TV
Político inglês Peter Mandelson aparece de cueca ao lado de mulher em imagem dos arquivos do caso Jeffrey Epstein Departamento de Justiça dos EUA/Divulgaçã...
Político inglês Peter Mandelson aparece de cueca ao lado de mulher em imagem dos arquivos do caso Jeffrey Epstein Departamento de Justiça dos EUA/Divulgação A polícia do Reino Unido cumpre nesta sexta-feira (6) mandados de busca e apreensão em dois endereços ligados a Peter Mandelson, político britânico envolvido num escândalo gerado pela divulgação dos arquivos do bilionário americano Jeffrey Epstein. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Os mandados estariam relacionados a uma investigação sobre má conduta em cargo público. As informações são da rede de TV britânica BBC. A polícia disse que estava cumprindo mandados de busca em dois endereços, um na região de Wiltshire, no sul da Inglaterra, e outro na região de Camden, em Londres. A polícia acrescentou que não prendeu o homem envolvido na investigação, que, segundo a BBC seria Mandelson — a única informação pessoal divulgada pelos agentes é a de que o alvo da operação tem 72 anos Caso Epstein: Departamento de Justiça dos EUA divulga mais 3 milhões de arquivos Mandelson renunciou na última terça (3) à Câmara dos Lordes, a câmara alta do Parlamento britânico, após novas revelações sobre seus vínculos com Jeffrey Epstein. Antes, ele já havia se desvinculado do Partido Trabalhista, o mesmo do atual premiê, Keir Starmer. O político, que já foi um dos mais influentes do Reino Unido ao longo dos governos de Tony Blair e Gordon Brown, é casado com o brasileiro Reinaldo Avila da Silva. O governo britânico preparava uma legislação para expulsar Mandelson da Câmara dos Lordes e retirar o título de nobreza, Lord Mandelson, que ele recebeu com sua nomeação vitalícia ao Parlamento. Peter Mandelson foi embaixador britânico nos Estados Unidos. Carl Court/Pool via AP O governo também informou que enviou um dossiê à polícia, que investiga alegações de que Mandelson teria repassado informações sensíveis do governo ao falecido criminoso sexual. O primeiro-ministro Keir Starmer disse ao seu gabinete nesta terça-feira que ficou “chocado” com as revelações contidas em novos documentos divulgados sobre Epstein e que teme que ainda surjam mais detalhes. Um conjunto de mais de 3 milhões de páginas de documentos relacionados a Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, trouxe revelações constrangedoras sobre Mandelson, de 72 anos, que ocupou cargos de alto escalão em governos trabalhistas anteriores e foi embaixador do Reino Unido em Washington até ser demitido por Starmer em setembro devido às suas ligações com Epstein. Os arquivos recém-divulgados contêm detalhes sobre os contatos de Mandelson com o financista, incluindo e-mails com informações políticas, algumas das quais críticos dizem que podem ter violado a lei. A polícia afirmou que está analisando relatos de má conduta “para determinar se atingem o patamar criminal para investigação”. O porta-voz de Starmer, Tom Wells, disse que o governo informou à polícia que os documentos sobre Mandelson e Epstein continham “prováveis informações sensíveis ao mercado” sobre a crise financeira global de 2008 e seus desdobramentos, que não deveriam ter sido compartilhadas fora do governo O que aconteceu? Há cerca de um ano, Peter Mandelson era o embaixador do Reino Unido em Washington, o mais recente cargo de destaque em uma carreira política turbulenta, mas influente. A amizade com Jeffrey Epstein lhe custou esse posto. O marido de Mandelson é o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, que recebeu depósitos que somam £10.000 (cerca de 70 mil reais em cotação atual). Agora, após novas revelações, Mandelson — assim como outros homens poderosos, incluindo Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles III — enfrenta pressão para esclarecer sua relação com o falecido agressor sexual. Mandelson deixou o Partido Trabalhista, que está no governo, no domingo (1), após novas alegações de que teria recebido pagamentos de Epstein há duas décadas. Ele afirmou que estava se afastando para evitar “mais constrangimentos”, embora tenha negado as acusações que surgem a partir de um conjunto de mais de 3 milhões de páginas de documentos relacionados a Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA. O primeiro-ministro Keir Starmer, que já havia demitido Mandelson do cargo de embaixador por causa de revelações anteriores sobre seus laços com Epstein, agora enfrenta pressão para fazer com que ele deponha nos Estados Unidos sobre o que sabia a respeito das atividades do financista. Mandelson ao lado do presidente Donald Trump em maio de 2025, em Washington. Evan Vucci/AP Na segunda-feira (2), Starmer pediu que Mandelson renunciasse à Câmara dos Lordes para a qual ele foi nomeado vitaliciamente em 2008. Isso também implicaria abrir mão do título de nobreza, Lord Mandelson, que recebeu na ocasião. “O primeiro-ministro acredita que Peter Mandelson não deveria ser membro da Câmara dos Lordes nem usar o título”, disse o porta-voz de Starmer, Tom Wells. “No entanto, o primeiro-ministro não tem o poder de removê-lo.” Mandelson — assim como Mountbatten-Windsor, o ex-príncipe Andrew — também enfrenta pedidos para prestar depoimento sobre Epstein nos EUA. O ministro Steve Reed afirmou na segunda-feira que ambos têm uma “obrigação moral” de ajudar as vítimas de Epstein. “Se alguém tem informações ou evidências que possam compartilhar para ajudar a entender o que aconteceu e levar justiça às vítimas, então deve compartilhá-las, seja Andrew Mountbatten-Windsor, seja Lord Mandelson ou qualquer outra pessoa”, disse ele à Sky News.