Perdas do BRB em operações com Master podem chegar a R$ 5 bilhões, diz agência
A reserva de recursos que o Banco de Brasília (BRB) vai precisar separar para cobrir operações feitas com o Banco Master pode chegar a R$ 5 bilhões. A afirm...
A reserva de recursos que o Banco de Brasília (BRB) vai precisar separar para cobrir operações feitas com o Banco Master pode chegar a R$ 5 bilhões. A afirmação foi feita pelo diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil (BC), Ailton Aquino, em depoimento à Polícia Federal visto pela Reuters. O valor é quase o dobro do montante inicialmente pedido pelo Banco Central à instituição financeira — de R$ 2,6 bilhões —, para cobrir eventuais rombos em operações feitas com o Master, que sofreu uma liquidação extrajudicial em meados de novembro decretada pelo BC. "Em virtude da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu buscar no Master, a gente também está ponderando que faltam mais, tem que ser feita provisão de mais R$ 2,2 bilhões", disse o diretor de Fiscalização do BC no depoimento à PF segundo a Reuters. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 "A dimensão da provisão dentro do balanço do BRB será de elevada monta. Será de mais de R$ 4 bilhões. [...] A probabilidade é que seja mais de R$ 5 bilhões de ajuste", acrescentou. O diretor de Fiscalização prestou depoimento à PF no final de dezembro, em um inquérito conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga, entre outros fatos, fraudes nas transações entre BRB e Master. Plano para cobrir prejuízo bilionário do BRB com o Master pode incluir empréstimo e até aporte de acionistas O Banco Master foi alvo de liquidação extrajudicial decretada pelo BC em 18 de novembro, e, no mesmo dia, seu dono, o empresário Daniel Vorcaro, foi preso em uma operação deflagrada pela PF para investigar suspeita de fraudes bilionárias. Vorcaro posteriormente foi solto, mas cumpre medidas cautelares. Em setembro, o BC havia rejeitado a compra do Master pelo BRB, que fora anunciada em março, após concluir análise acerca da capacidade financeira da instituição para fazer frente ao negócio. Aquino também disse que o BC questionou o banco desde maço, mostrando preocupação com o BRB em relação a operações. "Não necessariamente para mim, mas sim para o meu time, formado pelo supervisor, pelo auditor, pelo chefe da divisão que toca o banco", observou o diretor. Questionada sobre o depoimento de Aquino, a defesa de Vorcaro disse em nota que as carteiras de crédito objeto das tratativas com o BRB foram efetivamente substituídas por outros ativos, todos regularmente registrados no balanço da instituição, auditados e precificados de acordo com metodologias formais de classificação de risco, sob supervisão do BC. Segundo os advogados de Vorcaro, o BRB aprovou a aquisição dos ativos dentro dos parâmetros técnicos e contábeis vigentes à época. "A defesa de Daniel Vorcaro lamenta que trechos de depoimentos estejam sendo divulgados fora de contexto, segue colaborando integralmente com as autoridades competentes e confia que a apuração técnica completa dos fatos afastará interpretações que não correspondem à realidade", ressaltou. Procurados, o BC e o BRB não responderam de imediato a pedido de comentário. Entenda por que o Banco Central rejeitou a venda do Master para o BRB Jornal Nacional/ Reprodução *Com informações da agência de notícias Reuters.