Paciente que perdeu umbigo após cirurgias disse que ficou com cicatrizes piores que a flacidez que motivou os procedimentos
Paciente perde umbigo após cirurgias estéticas e é indenizada em mais de R$ 20 mil A paciente de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, que perdeu o umbigo apó...
Paciente perde umbigo após cirurgias estéticas e é indenizada em mais de R$ 20 mil A paciente de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, que perdeu o umbigo após uma abdominoplastia e uma lipoaspiração, afirmou à Justiça que ficou com uma cicatriz "pior do que a flacidez que motivou os procedimentos". O relato consta no processo movido pela mulher contra o médico e a clínica responsáveis pelas cirurgias. Segundo a ação, o procedimento, apresentado como rotineiro, terminou com inflamações, abertura dos pontos, necrose e intenso sofrimento físico e emocional. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp A Justiça condenou o médico e a clínica a indenizar a paciente em R$ 10 mil por danos morais, R$ 10 mil por danos estéticos e R$ 375 por despesas imediatas relacionadas à cirurgia. A decisão também determina que os dois arquem com 50% dos custos de uma cirurgia reparadora para corrigir a deformidade, além de metade das despesas com tratamentos futuros. O processo tramita em segredo de Justiça e, por isso, o g1 não conseguiu confirmar os nomes do médico e da clínica. Resultado distante do esperado Na ação, a paciente afirmou que o objetivo da cirurgia era melhorar a aparência do abdômen. Segundo ela, porém, o resultado foi o oposto do esperado. A mulher disse que, além de perder o umbigo, ficou com uma cicatriz aparente, mais extensa e mais impactante do que a flacidez que a levou a procurar o procedimento estético. Defesa alega que hábito da paciente contribuiu Os advogados do médico e da clínica recorreram da decisão. A defesa alegou que a paciente era fumante e que, apesar de ter sido orientada a interromper o hábito antes e depois da cirurgia, continuou fumando. Segundo o médico e a clínica, esse fator contribuiu para as complicações. LEIA MAIS: Mulher que ficou dependente de remédio após venda sem receita procurou farmácia depois de engordar 50 kg na gravidez Homem que ligou 60 vezes para a ex em um dia é condenado por stalking Mãe manda filho trabalhar e acaba agredida com voadora e pedradas Justiça entende que médico teve responsabilidade Ao analisar o caso, o juiz José Maurício Cantarino Villela destacou que, em cirurgias plásticas com finalidade exclusivamente estética, o médico assume uma obrigação de resultado. Isso significa que o profissional responde não apenas pela execução correta da cirurgia, mas também pelo resultado esperado pelo paciente, salvo se comprovar que o desfecho ocorreu por um fator totalmente alheio à sua atuação. Na decisão, o magistrado reconheceu a existência de culpa concorrente. Segundo ele, a paciente contribuiu para o agravamento do quadro ao continuar fumando, hábito que aumenta o risco de complicações na cicatrização. Por outro lado, o juiz entendeu que o médico também teve responsabilidade, pois admitiu que sabia, na véspera da cirurgia, que a paciente continuava fumando. Como se tratava de um procedimento eletivo, sem urgência e realizado apenas por razões estéticas, o magistrado avaliou que a cirurgia deveria ter sido adiada ou até recusada diante do risco elevado. Ao realizar o procedimento nessas condições, concluiu o juiz, o médico assumiu a responsabilidade pelo resultado negativo. O g1 questionou o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) sobre a possibilidade de recurso, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. Juiz José Maurício Cantarino Villela, explicou que, em cirurgias plásticas puramente estéticas, o médico tem uma "obrigação de resultado" TJMG/Divulgação VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas