MPF denuncia falta de água tratada e precariedade na saúde em aldeias indÃgenas de RO; entenda
MPF denuncia falta de água tratada e precariedade na saúde em aldeias indÃgenas de RO Reprodução/MPF O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma aÃ...
MPF denuncia falta de água tratada e precariedade na saúde em aldeias indÃgenas de RO Reprodução/MPF O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública na última semana para exigir a construção de unidades de saúde e garantir os direitos à vida, à saúde e à dignidade ambiental do povo indÃgena Uru-Eu-Wau-Wau, em Guajará-Mirim (RO). Segundo o MPF, a falta de ações do Governo Federal tem deixado os indÃgenas das aldeias Pedreira, Cristo Rei/Marina, Laranjal e São Luiz em situação de extrema vulnerabilidade. Inspeções realizadas nas comunidades apontaram um cenário de abandono estrutural e institucional. Na aldeia Pedreira, o mesmo espaço é utilizado para consultas médicas, farmácia, cozinha e dormitório dos profissionais de saúde. Já na aldeia Laranjal, a falta de infraestrutura obriga os moradores a consumirem água do rio sem tratamento, provocando frequentes casos de problemas gastrointestinais. Veja os vÃdeos em alta no g1: Agora no g1 Na aldeia Cristo Rei/Marina, a escola é usada para atendimentos médicos e odontológicos, o que prejudica as atividades escolares. Em São Luiz, o prédio da Secretaria Especial de Saúde IndÃgena (Sesai) está abandonado e não possui estrutura para a produção de próteses dentárias. Com isso, os atendimentos odontológicos se limitam a extrações, afetando a alimentação e a autoestima dos moradores. O MPF também destaca a precariedade da assistência voltada à s mulheres. Sem consultórios adequados, exames ginecológicos preventivos são feitos nas casas das pacientes, em locais sem esterilização adequada, sem privacidade e, em alguns casos, na presença de animais domésticos. A situação provoca constrangimento e faz com que muitas mulheres deixem de realizar o acompanhamento preventivo. A ausência de espaços seguros nos postos de saúde também dificulta a denúncia de casos de violência fÃsica, psicológica e de abusos contra a liberdade sexual e reprodutiva. As indÃgenas ainda relatam falta frequente de anticoncepcionais e demora para a realização de mamografias, que dependem da passagem esporádica de uma unidade móvel fluvial. As aldeias da região de Guajará-Mirim estão localizadas em áreas de difÃcil acesso e só podem ser alcançadas por barco ou avião. Em alguns casos, as viagens fluviais duram até 10 horas. Durante a seca extrema de 2024, o Rio Pacaás secou a ponto de obrigar os indÃgenas a arrastarem embarcações por trechos secos e bancos de areia durante vários dias. A situação deixou as comunidades sem alimentos, medicamentos e água potável, tornando necessária a ajuda aérea para garantir a sobrevivência dos moradores. Para o MPF, a situação representa uma grave e prolongada violação dos direitos fundamentais dos povos indÃgenas e compromete a dignidade e a organização social das comunidades. O órgão também pede que a Justiça considere os impactos sofridos pelas mulheres indÃgenas e a necessidade de medidas de adaptação à s mudanças climáticas, especialmente após a seca severa registrada em 2024. Pedidos do MPF à Justiça Federal Construção de postos de saúde na aldeia Pedreira e em outra comunidade a ser escolhida pelos indÃgenas entre Laranjal e São Luiz; Reforma e adequação dos espaços de atendimento nas quatro aldeias; Implantação de banheiros e sistemas comunitários de abastecimento de água nas quatro comunidades; Pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos, com recursos destinados a projetos nas aldeias; Indenização por danos climáticos e adoção de medidas para evitar que situações como a seca extrema de 2024 se repitam, fortalecendo a capacidade das comunidades de enfrentar eventos ambientais severos. O que diz o Ministério da Saúde? O Ministério da Saúde informou que os investimentos no Distrito Sanitário Especial IndÃgena (DSEI) Porto Velho mais que dobraram nos últimos anos. O orçamento da unidade passou de R$ 39,4 milhões em 2022 para R$ 90,1 milhões no ano passado. Segundo a pasta, o número de profissionais de saúde que atuam na região cresceu 73% no perÃodo, chegando a 758 trabalhadores. O DSEI Porto Velho conta atualmente com 26 Unidades Básicas de Saúde IndÃgena (UBSIs), seis polos base e seis Casas de Apoio à Saúde IndÃgena (Casais). O órgão também informou que uma nova UBSI e um Módulo Sanitário Domiciliar (MSD) estão em construção. O ministério afirma que realiza reforço de estoques de medicamentos, vacinas, insumos e alimentos antes do perÃodo de estiagem, para evitar desabastecimento em áreas de difÃcil acesso. Na Terra IndÃgena Uru-Eu-Wau-Wau, a previsão é de implantação de sistemas de abastecimento de água em nove comunidades: Comiwawan, Sagarana, Castanheira, Pitop, Poção, São João, São Luiz, Santo André I e Bom Jesus. Atualmente, segundo a pasta, 46 das 70 aldeias têm sistemas de abastecimento de água e 24 contam com esgotamento sanitário. Ainda segundo a pasta, na saúde bucal, foram realizadas 1.921 restaurações no primeiro trimestre de 2026. A confecção de próteses dentárias segue o fluxo do SUS, por meio dos Laboratórios Regionais de Prótese Dentária (LRPD). O Ministério da Saúde informou ainda que não foi notificado sobre a ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF).