Marido de vítima de feminicídio vai responder em liberdade; filhas seguem presas por suspeita do crime

Compra de celular e convite para fazer compras: como filhas planejaram feminicídio da mãe José Roberto Ribeiro, de 54 anos, marido da empresária Deise Carme...

Marido de vítima de feminicídio vai responder em liberdade; filhas seguem presas por suspeita do crime
Marido de vítima de feminicídio vai responder em liberdade; filhas seguem presas por suspeita do crime (Foto: Reprodução)

Compra de celular e convite para fazer compras: como filhas planejaram feminicídio da mãe José Roberto Ribeiro, de 54 anos, marido da empresária Deise Carmen de Oliveira Ribeiro, vítima de feminicídio, foi solto após 60 dias. Ele ficou 30 dias preso temporariamente, com a medida prorrogada por mais 30. José Roberto e as duas filhas foram indiciados pela morte de Deise Carmen, no último dia 6. Ele foi indiciado por atuar na eliminação de provas do crime e por tentar atrapalhar as investigações, e vai responder em liberdade. O corpo de Deise foi encontrado no dia 1º de janeiro, no Rio Santa Tereza, em Peixe, no sul do Tocantins. Segundo a Polícia Civil, o crime foi motivado por conflitos familiares e interesses financeiros. As filhas Déborah de Oliveira Ribeiro, de 26 anos, e Roberta de Oliveira Ribeiro, de 32 anos, foram indiciadas pela morte e pela ocultação do corpo. Elas seguem presas. Em nota, a defesa de Déborah, Roberta e José Roberto afirmou que o relatório policial possui “lacunas fundamentais” e que a narrativa carece de lastro probatório técnico em diversos pontos. A defesa informou que tomará as medidas legais para assegurar o contraditório (veja nota completa abaixo). O g1 pediu um novo posicionamento, mas, até a última atualização desta reportagem, a defesa não havia retornado. Segundo o delegado do caso, João Paulo Sousa Ribeiro, o marido teria apagado dados digitais e escondido a caminhonete usada pelas filhas para transportar o corpo da mãe. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Após concluir o inquérito, a polícia avaliou que não há provas de que José Roberto tenha participado do assassinato ou da ocultação do corpo. Como ele não responde por feminicídio, a Justiça não converteu sua prisão temporária em preventiva, o que permitiu a soltura. “A investigação foi concluída com o indiciamento das filhas pelo feminicídio. Ele não foi indiciado por esse crime. Por isso, não havia motivo para converter a prisão dele, que era temporária, em preventiva”, informou o delegado. Polícia prende marido e filhas suspeitos de matar Deise Carmem de Oliveira Alessandro Ferreira/Divulgação SSP-TO LEIA TAMBÉM: Filhas suspeitas de feminicídio da mãe no TO dependiam da empresa da família: 'Iam ter total controle', diz delegado Do corpo em rio à prisão do marido e filhas: veja cronologia da morte de Deise Carmem Compra de celular e convite para fazer compras: como filhas planejaram feminicídio da mãe, segundo a polícia Família tinha conflitos por dinheiro Deise Carmem era dona de uma fábrica de rodos que era a principal fonte de renda da família. Conforme o delegado João Paulo, as filhas, apesar de exercerem outras atividades, dependiam financeiramente da mãe. "As filhas queriam ter um padrão de vida, não de luxo, nada disso. Mas dependiam financeiramente. E a vítima era um empecilho para isso. Um dos conflitos maiores ultimamente foi o pai ter dado, inclusive, um cartão para uma das filhas gastar, e a mãe não concordava com isso." Segundo a investigação, a vítima era vista pelas filhas como um “embaraço”. Com a morte, elas poderiam, supostamente, ter controle sobre a empresa. "Então as filhas viam a mãe como um embaraço na vida delas. A partir do momento que a mãe faltasse, elas iam ter total controle porque o pai, além de ser, entre aspas, "bom" para elas, é uma pessoa assim que não tem muita instrução, ele não ia tentar fazer esse controle, ele não ia controlar as despesas, a questão financeira. E isso ia passar para elas, elas iam ter total controle", explicou o delegado. A suspeita da polícia é de que o crime foi planejado e executado pelas filhas. A investigação apontou que elas compraram um celular no nome da mãe e, após matarem a vítima, usaram o aparelho para enviar mensagens aos parentes, fingindo que Deise tinha ido embora por conta própria. A estratégia serviu para atrasar as buscas e enganar a polícia. O marido, José Roberto Ribeiro, foi indiciado por ter atuado na eliminação de registros relevantes após o crime e tentado atrapalhar as investigações. Dinâmica do crime No dia 26 de dezembro de 2025, a vítima foi levada para uma área rural perto da Vila Quixaba, onde foi morta com vários golpes de faca. Depois, o corpo foi jogado no Rio Santa Tereza, na zona rural de Peixe. O inquérito foi conduzido pela 94ª Delegacia de Polícia de Peixe, com apoio da 8ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC) de Gurupi. O caso foi encaminhado para Justiça e será analisado pelo Ministério Público Estadual (MPTO), que definirá se apresenta a denúncia criminal. Íntegra da nota da defesa A defesa técnica de Déborah de Oliveira Ribeiro, Roberta de Oliveira Ribeiro e Jose Roberto Ribeiro, diante da recente conclusão das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Estado do Tocantins e das solicitações de pronunciamento enviadas por este veículo de comunicação, vem a público esclarecer que recebeu com absoluta serenidade o relatório final apresentado pela autoridade policial em 1º de abril de 2026. A conclusão do inquérito é uma etapa natural do rito processual e, para os investigados, representa o início da oportunidade de confrontar judicialmente as hipóteses levantadas na fase inquisitorial. É imperativo reconhecer o excelente e exaustivo trabalho desempenhado pela Polícia Judiciária e pela Superintendência da Polícia Científica do Estado do Tocantins. Contudo, muito embora o esforço investigativo seja notório, a defesa sublinha que inúmeras lacunas fundamentais restam a ser preenchidas. A narrativa policial, em diversos pontos, carece de lastro probatório técnico e se baseia em interpretações que serão devidamente contestadas no foro adequado. A defesa destaca que a própria autoridade policial, em seu relatório final, admitiu não ter reunido elementos suficientes para vincular Jose Roberto à execução do homicídio ou à ocultação do cadáver. O indiciamento deste restringe-se exclusivamente a uma suposta supressão de mensagens digitais, o que afasta, de plano, qualquer participação nos crimes investigados. A defesa tomará todas as medidas legais cabíveis assegurando que o contraditório e a ampla defesa sejam exercidos em sua plenitude. Confiamos que, sob o crivo do Poder Judiciário e com a devida paridade de armas, as lacunas hoje existentes serão sanadas, restabelecendo-se a justiça e a verdade real sobre os fatos. A defesa permanece à disposição das autoridades e da sociedade, reiterando o compromisso com a legalidade e a presunção de inocência. Deise Carmem de Oliveira Ribeiro foi encontrada morta em um rio em Peixe Arte g1 Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.