Encontro de Tarcísio com MDB reposiciona o xadrez político na articulação de Lula para consolidar palanque forte em SP

O presidente Lula (PT) ao lado dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejanento). Divulgação/Gov.Br O encontro entre o governador de São ...

Encontro de Tarcísio com MDB reposiciona o xadrez político na articulação de Lula para consolidar palanque forte em SP
Encontro de Tarcísio com MDB reposiciona o xadrez político na articulação de Lula para consolidar palanque forte em SP (Foto: Reprodução)

O presidente Lula (PT) ao lado dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejanento). Divulgação/Gov.Br O encontro entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a cúpula do MDB, nesta segunda-feira (9), acendeu um alerta no Palácio do Planalto e passou a influenciar diretamente a estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a montagem de um palanque forte no estado. A possibilidade de o MDB indicar o vice na chapa de reeleição de Tarcísio reposiciona o xadrez político no maior colégio eleitoral do país, coloca em xeque a permanência da ministra Simone Tebet no partido e impõe novos desafios à política de alianças de Lula. São Paulo deixou de ser apenas uma disputa local e se tornou peça central da estratégia nacional do presidente para 2026, em um movimento mais amplo de aproximação com partidos de direita e do Centrão. Veja os vídeos que estão em alta no g1 MDB: peça importante, mas partido rachado O MDB aparece como um ator central nas conversas, mas a possibilidade de um alinhamento nacional com Lula é vista como difícil. O partido está dividido: ao menos 17 diretórios estaduais resistem a um apoio formal ao presidente. Além disso, o controle da sigla pelo deputado Baleia Rossi — hoje bastante alinhado ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo — empurra o MDB paulista para um campo mais próximo da direita. Esse cenário enfraquece a chance de o partido fechar com Lula no plano nacional e estadual. Essa dificuldade tem um efeito colateral importante: empurra a ministra do Planejamento, Simone Tebet, hoje no MDB, para fora da legenda. O destino mais provável, caso decida disputar eleições, seria o PSB. O objetivo central do PT: Haddad em São Paulo No PT, o principal objetivo segue sendo manter Fernando Haddad como protagonista em São Paulo. O partido ainda insiste na ideia de tê-lo como candidato ao governo do estado, repetindo a estratégia de eleições anteriores e apostando em sua força eleitoral na capital. Nesse desenho, Simone Tebet poderia entrar como candidata ao Senado, dando à chapa uma “cara de frente ampla”, com apelo além da esquerda tradicional. Mas há outros cenários em discussão — alguns mais prováveis que outros. O xadrez eleitoral de Lula em três cenários: Cenário 1 – O desenho preferido do PT Fernando Haddad candidato ao governo de São Paulo Simone Tebet candidata ao Senado Alckmin permanece como vice de Lula É o modelo que preserva o protagonismo do PT no estado, mas depende de Tebet confirmar a saída do MDB e ir para PSB para tentar o Senado. O futuro da ministra ainda depende de conversa com Lula, mas a decisão precisa ser tomada ainda neste mês por causa de janela partidária. Cenário 2 – Inversão que agrada mais a Haddad Simone Tebet candidata ao governo de São Paulo Fernando Haddad candidato ao Senado Alckmin permanece como vice de Lula Esse formato é visto por aliados como eleitoralmente mais confortável para Haddad, mas enfrenta forte resistência interna no PT paulista, que reluta em abrir mão da cabeça de chapa no estado. Cenário 3 – O mais improvável Geraldo Alckmin candidato ao governo de São Paulo Haddad disputando o Senado Simone Tebet, no PSB, como vice na chapa de Lula Nesse caso, a vice-presidência ficaria com o PSB, mantendo a lógica de uma mulher na vaga hoje ocupada por Alckmin. Apesar da boa relação entre Lula e Alckmin, esse cenário é considerado o mais difícil, já que a tendência é o vice continuar ao lado do presidente na chapa nacional. Movimento mais amplo As discussões em torno de São Paulo fazem parte de um movimento maior de Lula para atrair partidos de direita e do Centrão, ampliando sua base de alianças para 2026. A escolha dos nomes, mais do que local, carrega um peso nacional. Nada está fechado. As peças estão no tabuleiro, e o jogo segue aberto.