'Empresas fantasmas' eram usadas na lavagem de dinheiro de facção envolvida com tráfico de drogas em MT

Delegada Bruna Laet sobre a Operação Conluio Pantaneiro Uma quadrilha envolvida com tráfico de drogas usava "empresas fantasmas" para movimentar cerca de R$ ...

'Empresas fantasmas' eram usadas na lavagem de dinheiro de facção envolvida com tráfico de drogas em MT
'Empresas fantasmas' eram usadas na lavagem de dinheiro de facção envolvida com tráfico de drogas em MT (Foto: Reprodução)

Delegada Bruna Laet sobre a Operação Conluio Pantaneiro Uma quadrilha envolvida com tráfico de drogas usava "empresas fantasmas" para movimentar cerca de R$ 54 milhões entre 2022 e 2024, segundo comunicado da Polícia Civil divulgado nesta segunda-feira (23), em Cuiabá. As contas bancárias das esposas dos três principais suspeitos também foram usadas para lavar esse dinheiro do tráfico. Ao menos 10 pessoas foram presas na última sexta-feira (20), durante a Operação Conluio Pantaneiro, em Mato Grosso, São Paulo e no Paraná. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp A investigação apontou que várias empresas de diferentes setores eram usadas no esquema, como sorveteria, transporte de carga, incorporação de empreendimentos imobiliários, salão de beleza, consultoria de gestão empresarial, distribuidora de bebidas, terraplanagem e gestão administrativa. Os investigados usavam múltiplas transações financeiras para ocultar a origem do dinheiro, evitando que fossem descobertos. A principal empresa utilizada pelo grupo em Mato Grosso para lavar o dinheiro do tráfico era do ramo de instalação e manutenção de ar-condicionado, localizada em Cáceres, a 220 km de Cuiabá. O proprietário, de 43 anos, usava as contas da empresa para as transações e também sua conta pessoal. Apenas em 2023, ele recebeu mais de R$ 4 milhões. O grupo ainda recebeu transferências de duas empresas laranjas localizadas em São Paulo, que eram geridas pelas mesmas pessoas que supostamente seriam do setor de assessoria em gestão administrativa. Um homem, de 55 anos, apontado como responsável pela empresa, foi preso em Taubaté (SP) na deflagração da operação, segundo a polícia. Entre 6 de junho e 17 de agosto de 2023, a investigação mostrou que o grupo, composto por cerca de 20 pessoas, recebeu pelo menos seis carregamentos de drogas, totalizando 2.700 kg de pasta base de cocaína. Operação A investigação apontou que o chefe do grupo, de 49 anos, mantinha ligação com todos os alvos. A esposa dele, de 46 anos, também é apontada como parte da organização criminosa, segundo a polícia. Ela se declara empresária, atuando na sorveteria do casal. Contudo, a investigação da polícia mostra que ela teria ocupação no núcleo financeiro do grupo criminoso, com função na lavagem de dinheiro. Dados da Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) apontaram que em 2023 e 2024 ela movimentou R$ 2.415,630,66, sendo que ela mesma depositou em sua conta R$ 164.900. Do total de valor movimentado pela investigada em suas contas bancárias, não há identificação de origem de R$ 643.812,36, de acordo com a polícia. Ela foi alvo de mandado de busca e apreensão e de bloqueio de bens e valores nesta sexta-feira (20). Ao todo, a operação cumpriu 62 ordens judiciais, 17 mandados de busca e apreensão, além de bloqueio de valores e sequestro de veículos. Além dos mandados de prisão, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, além de bloqueio de valores e sequestro de veículos. PJC-MT Investigação A investigação começou a partir da prisão de um homem de 42 anos, suspeito de integrar uma facção e de participar da lavagem de dinheiro por meio da sua própria esposa, de 33 anos. Ela recebia os valores e, em seguida, repassava para ele. Em setembro de 2023, ele atuava como batedor no transporte de drogas, em Poconé. Nesta sexta-feira (20), ele foi preso em Várzea Grande, durante a operação, que o identifica como segundo alvo. A fonte de renda dela vem do trabalho de manicure, mas não apresentou declaração de imposto de renda entre 2022 e 2024 que comprove a movimentação de mais de R$ 3 milhões. A maior parte desse valor, cerca de R$ 1 milhão, foi transferido por uma empresa laranja de São Paulo, mas ela também recebeu transferência de outra companhia laranja paulista, de R$ 150 mil, segundo a polícia. Os dois também foram alvos. O que chama atenção dos policiais foi o fato dela ter enviado R$ 316.050 ao homem apontado como chefe do grupo criminoso, R$ 105.300 à esposa dele e R$ 265.283,06 a seu marido. A polícia cumpriu mandado de busca e apreensão e de medida cautelar de bloqueio, sequestro de bens e valores. Ligações do grupo O segundo alvo da operação mantinha ligação com o suspeito Wagner Gonçalves Neto, que morreu em setembro de 2023 durante uma troca de tiros com a polícia. Wagner tinha papel central no grupo, segundo a polícia. Isso porque era por meio dele que vários dos investigados tinham contato e recebiam pagamentos. Inclusive, um dos suspeitos é seu filho, de 22 anos, que foi preso nesta sexta-feira (20), em Cáceres. Ele também colocou o marido de sua irmã, de 34 anos, para auxiliar na logística de recebimento da droga na fazenda em que o cunhado trabalhava. O cunhado de Wagner também foi preso durante a ação desta sexta-feira (20) em Poconé. Outro casal também foi ligado ao grupo criminoso devido a conversas do suspeito com Wagner e a movimentação financeira da esposa, de acordo com a polícia. As investigações apontaram que este suspeito, de 39 anos, era o responsável por repassar o pagamento do chefe do grupo para Wagner. Porém, o pagamento estava atrasado e ele não queria mais continuar recebendo a droga.