Em discurso à nação, Trump terá dificuldades para convencer americanos de que o país está na direção certa

Suprema Corte impõe derrota ‘imensa’ a Trump Em um momento extremamente conturbado para o governo, quatro dias após ser humilhado com a derrota de sua age...

Em discurso à nação, Trump terá dificuldades para convencer americanos de que o país está na direção certa
Em discurso à nação, Trump terá dificuldades para convencer americanos de que o país está na direção certa (Foto: Reprodução)

Suprema Corte impõe derrota ‘imensa’ a Trump Em um momento extremamente conturbado para o governo, quatro dias após ser humilhado com a derrota de sua agenda tarifária na Suprema Corte, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encara a nação, do púlpito do Capitólio, no primeiro discurso formal sobre o Estado da União deste segundo mandato na noite desta terça-feira (24). Em ano eleitoral decisivo, para que ele mantenha o controle da Câmara e do Senado, uma enxurrada de indicadores negativos deixa o presidente em dificuldades para vender aos americanos a mensagem de que o país está melhor do que há 13 meses, quando retornou à Casa Branca. O ambiente hostil no Congresso transcende a relação de Trump com os opositores democratas. Na primeira fila do plenário, estarão sentados nesta noite os nove juízes da Suprema Corte. Seis deles - dois dos quais nomeados por Trump - consideraram que o presidente extrapolou sua autoridade ao impor, por meio de uma lei de emergência, tarifas amplas e globais, um dos pilares de sua política econômica. Depois de descrever os magistrados como tolos e lacaios e considerar a decisão equivocada e desastrosa para o país, Trump reagiu com um desafio, reeditando novas tarifas de 10%, ampliadas posteriormente para 15%. Em diversas postagens em sua rede social, o presidente reiterou que não precisa da aprovação do Congresso para implementar tarifas. Trump fala sobre o tarifaço Kevin Lamarque/Reuters As pesquisas mostram que o prestígio do presidente vem despencando e está em torno de 36%. Em uma sondagem recente da CNN, 68% dos entrevistados avaliaram que Trump não priorizou os problemas mais importantes do país. Em outra, realizada pelas emissoras NPR/PBS News/Marist, 78% consideraram que a democracia americana enfrenta séria ameaça e 68% acreditam que o sistema de freios e contrapesos entre o presidente, o Congresso e o Judiciário, não está funcionando. Esta realidade indica que Trump saiu de sua zona de conforto e se verá, esta noite, diante de uma nação cética. Ao contrário do que ele tenta convencer os americanos, o crescimento econômico está em declínio: no último trimestre do ano passado, o PIB desacelerou para 1,4% e ficou abaixo dos 3% previstos. A truculenta política de deportação em massa de imigrantes sofreu um sério revés com as mortes de dois americanos em Minneapolis por agentes federais e cenas violentas conduzidas por agentes mascarados, como a de um menino de 5 anos sendo preso na porta de casa. O desgaste político fez o governo recuar e retirar boa parte do contingente de três mil agentes enviados para Minnesota. Trump chegará esta noite à sede do Congresso em meio ao impasse sobre a paralisação parcial do Departamento de Segurança Interna, que conduz a sua política de imigração. A oposição democrata se recusa a aprovar o financiamento das reformas migratórias propostas pela Casa Branca. O escândalo Jeffrey Epstein e as dúvidas sobre os rumos das investigações repercutem mal entre a sua base eleitoral. E, por fim, a iminência de um novo ataque ao Irã ajuda a fomentar a insatisfação de boa parte dos americanos que não querem ver o país envolvido em um novo conflito externo. Trump antecipou que seu discurso em horário nobre será longo, mais um sinal de que terá trabalho para convencer os americanos de que o país caminha na direção certa.