DPU cobra ação do Governo do PA para reduzir fila de exame genético de Transtorno do Espectro Autista

Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém. Agência Pará A Defensoria Pública da União (DPU) recomendou à Secretaria de Estado de Sa...

DPU cobra ação do Governo do PA para reduzir fila de exame genético de Transtorno do Espectro Autista
DPU cobra ação do Governo do PA para reduzir fila de exame genético de Transtorno do Espectro Autista (Foto: Reprodução)

Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém. Agência Pará A Defensoria Pública da União (DPU) recomendou à Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) a adoção de medidas para reduzir a fila de exames genéticos usados no diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo o órgão, cerca de 1,3 mil pessoas aguardam atendimento no estado. A espera pode chegar a 6 anos, segundo mães. O g1 solicitou posicionamento da Sespa, mas ainda não havia obtido resposta até a última atualização da reportagem. ✅ Siga o canal do g1 Pará no WhatsApp A recomendação da DPU também pede o fim da chamada alta programada com prazo determinado para pacientes em tratamento no Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR) e na rede estadual. Pela proposta, a alta só poderia ocorrer com parecer técnico fundamentado da equipe responsável, levando em conta cada caso. Fila e capacidade De acordo com a DPU, a capacidade contratada para o atendimento em genética médica no CIIR é "insuficiente diante da demanda". Atualmente, segundo a DPU, são 200 consultas, sendo 70% destinadas ao Sistema de Regulação Estadual (SER) e 30% para retornos e interconsultas internas. Para o defensor regional de direitos humanos no Pará, Marcos Wagner Alves Teixeira, “tal volume é manifestamente incompatível com a fila de espera”. A Defensoria afirma que o represamento do exame compromete o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado. Brasil tem mais de 2,4 milhões de pessoas com autismo Alta programada A Sespa informou à DPU que adota um modelo de “alta programada” no Programa de Reabilitação Intelectual, com período fixo de seis meses de atendimento intensivo. Após esse prazo, o paciente é desligado do ciclo terapêutico, mesmo sem avaliação individualizada da condição clínica, ainda segundo a DPU. A própria secretaria informa que a fila de retornos é "formada justamente por pacientes que já passaram por um ciclo e precisam de nova reavaliação, o que consome 30% das vagas mensais do CIIR". Na avaliação da DPU, esse modelo "retroalimenta a fila" e faz com que "quem já foi atendido volte a disputar vaga com quem ainda aguarda o primeiro atendimento". Avaliação técnica A recomendação foi embasada também em consultas feitas pela DPU a conselhos profissionais da área. O Conselho Regional de Psicologia avaliou que "seis meses são insuficientes até para consolidar as primeiras habilidades do paciente". Já o Conselho Regional de Fonoaudiologia destacou que "a soma de intervenções tardias, exames represados e terapias interrompidas tende a agravar quadros clínicos e a sobrecarregar os serviços de saúde mental e educação". Para o conselho, "o custo para o Estado é maior no longo prazo". O Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) afirmou que "o diagnóstico de TEA segue critérios da Associação Americana de Psiquiatria e que, em casos de déficit intelectual, o exame do X-Frágil é fundamental". O órgão também ressaltou que "o SUS enfrenta dificuldades organizacionais e de logística familiar para garantir esse atendimento". O que a Defensoria pede Na recomendação, a DPU pede medidas administrativas e orçamentárias urgentes para reduzir a fila da genética médica no Pará. Entre as sugestões estão o credenciamento de novos laboratórios, a descentralização do serviço e a melhora do fluxo para coleta e processamento do exame X-Frágil. O órgão também quer a suspensão imediata da alta programada baseada apenas no prazo fixo de seis meses. Caso a Sespa aceite a recomendação, a DPU informou que "a alta passaria a depender de parecer técnico fundamentado, com avaliação individual da equipe multidisciplinar, atestando que a medida é clinicamente benéfica e segura para o paciente". VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará Leia as últimas notícias do estado no g1 Pará