Com câncer terminal, homem decide fazer velório em vida: ‘Quando eu morrer, eu morri. Mas até lá, eu estou vivendo’

Homem participa do próprio velório em Campo Grande, MS Muita vontade de viver - até o fim. Aos 47 anos, Tiago Pitthan trata um câncer em estágio terminal e...

Com câncer terminal, homem decide fazer velório em vida: ‘Quando eu morrer, eu morri. Mas até lá, eu estou vivendo’
Com câncer terminal, homem decide fazer velório em vida: ‘Quando eu morrer, eu morri. Mas até lá, eu estou vivendo’ (Foto: Reprodução)

Homem participa do próprio velório em Campo Grande, MS Muita vontade de viver - até o fim. Aos 47 anos, Tiago Pitthan trata um câncer em estágio terminal e decidiu lidar com a proximidade da morte de uma maneira muito particular: quer celebrar a vida ao lado das pessoas que ama e, para isso, decidiu antecipar o próprio velório. “Desde o início da minha doença, as pessoas evitam falar comigo: câncer, morte, velório. Eu faço questão de usar essas três palavras. Quando elas não têm nome, elas assombram a gente, e eu não quero ser assombrado por nada disso. Então, falo mesmo. Eu tenho câncer, eu vou morrer”, diz Tiago. O tempo do Tiago é hoje, como o de todos nós. Apesar de a gente insistir em esquecer disso: “A gente não lida com a morte como uma coisa real. É diferente quando você pensa: vai acontecer com todo mundo, quando você fala: 'Opa, está acontecendo comigo'. Eu descobri que meu câncer era terminal, foi um choque. Esse momento eu encarei de frente e falei: ‘Caraca, eu vou morrer’.” Os sintomas começaram no réveillon de 2024. Um câncer agressivo no estômago. “A gente marcou a cirurgia. O médico entrou no quarto e falou: ‘Tiago, infelizmente a cirurgia não deu certo, porque seu câncer é metastático. Já está no intestino grosso, no delgado, e não tem o que fazer’”, conta Tiago. Tiago faz quimioterapia e imunoterapia para tentar desacelerar o crescimento dos tumores. Mas, no fim de 2025, a doença piorou, e o tempo para o Tiago ganhou outras dimensões. “Eu falei: beleza, pera, eu vou morrer, mas não estou morto. Eu entendi que o tempo é um dos bens mais preciosos que a gente tem. Eu tenho aproveitado ele melhor, eu tenho usado ele mais com as pessoas”, diz Tiago. Daí veio o anúncio: um velório que não fala de morte, é uma celebração à vida. O evento aconteceu no dia 30 de maio. A mãe está assimilando a ideia aos poucos. “Para mim é difícil, é. Vou no velório do meu filho vivo”, conta Mabel Schueler. Homem participa do próprio velório em Campo Grande, MS Reprodução/TV Globo A festa começou com roda de samba. A primeira lista tinha 50 convidados, a segunda, 100. Até que virou: "quem quiser é só chegar". E o velório do Tiago virou um grande evento. "Muitos pessoas me perguntam: 'Tiago, como é estar morrendo?'. Eu respondo: eu não sei. Eu estou vivendo e, quando eu morrer, eu morri, mas até lá, eu estou vivendo, não estou morrendo", conclui Tiago. Com câncer terminal, homem decide fazer velório em vida Reprodução/TV Globo GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.