Cidades usam IA para remediar desastres causados por chuvas

A crise climática trouxe prejuízos severos ao Brasil nos primeiros meses de 2026. De acordo com levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), ...

Cidades usam IA para remediar desastres causados por chuvas
Cidades usam IA para remediar desastres causados por chuvas (Foto: Reprodução)

A crise climática trouxe prejuízos severos ao Brasil nos primeiros meses de 2026. De acordo com levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), os temporais já causaram prejuízos de R$1,4 bilhão e afetaram mais de 1 milhão de pessoas em todo o país. Ao todo, 377 municípios sofreram com inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos entre janeiro e março deste ano. Para reverter esse cenário, tecnologias de gestão urbana se tornaram um pilar central para o mapeamento e proteção de áreas de risco. Um dos casos de sucesso é o de Nova Lima, em Minas Gerais. Com mais de um terço da população vivendo em áreas vulneráveis, a cidade implementou um sistema que monitora o nível do Rio das Velhas em tempo real. Os dados são enviados diretamente ao cidadão via aplicativo, permitindo o acompanhamento contínuo da situação, especialmente em períodos de chuva intensa. O papel da prevenção A solução permite que a prefeitura envie alertas preventivos baseados em dados precisos, reduzindo drasticamente o tempo de evacuação em áreas de risco. Para Alexandre Gedanken, diretor-presidente do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI), organização que desenvolveu a tecnologia, esse cenário reforça que o verdadeiro diferencial de um município está na sua capacidade de integração. As cidades inteligentes nascem da conexão entre pessoas, tecnologia e gestão pública. A inteligência artificial surge como o próximo passo dessa evolução. Durante o Smart City Expo Curitiba 2026, maior evento de cidades inteligentes das Américas, que ocorre entre 25 e 27 de março na Arena da Baixada, o ICI apresentará a “Vitrine de IA para cidades inteligentes”. O painel irá abordar o uso de IA na modernização da gestão pública. Além de Minas Gerais, cidades como Osasco, em São Paulo, e Londrina, interior do Paraná, também têm utilizado essas ferramentas para modernizar o atendimento e a gestão estratégica. Em Londrina, a plataforma "Londrina On" centraliza serviços essenciais, que vão de iluminação pública a transporte e conservação de vias, em um único canal digital. O sistema permite que o cidadão abra chamados via WhatsApp ou aplicativo, agilizando a resposta da prefeitura para demandas do cotidiano. Já em Osasco, o foco está na estratégia. O projeto "Cidade Inteligente, Humana e Sustentável" utiliza a inovação e o planejamento integrado para transformar o ambiente urbano em um espaço mais resiliente e participativo, colocando o bem-estar humano como prioridade em cada decisão tecnológica. Tecnologias para inovar, criar e vivenciar O debate sobre como transformar espaços urbanos em ambientes seguros e com qualidade de vida é o foco do Smart City Expo Curitiba. Promovido pelo iCities e chancelado pela Fira Barcelona, o evento este ano tem como tema “Cidades para Criar, Inovar e Vivenciar”, reforçando que uma cidade só é verdadeiramente inteligente quando acolhe e protege toda a população. Durante o evento, o ICI terá um espaço dedicado a quem deseja conhecer, na prática, iniciativas voltadas a serviços públicos digitais e gestão urbana. Para Alexandre Gedanken, o encontro é uma oportunidade vital de compartilhar experiências: "O Smart City é um espaço para mostrar como essas conexões geram resultados para os cidadãos, seja no uso estratégico de dados ou na criação de soluções digitais que tornam a gestão mais eficiente e transparente”, conclui.