Cidades da região de Piracicaba estão em área de estresse hídrico crônico; entenda

Pedras à mostra no salto do Rio Piracicaba, em Piracicaba, durante estiagem Edijan Del Santo/ EPTV As cidades que estão nas bacias hidrográficas dos rios Pir...

Cidades da região de Piracicaba estão em área de estresse hídrico crônico; entenda
Cidades da região de Piracicaba estão em área de estresse hídrico crônico; entenda (Foto: Reprodução)

Pedras à mostra no salto do Rio Piracicaba, em Piracicaba, durante estiagem Edijan Del Santo/ EPTV As cidades que estão nas bacias hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) estão em uma área de estresse hídrico crônico, informou Francisco Lahóz, Secretário Executivo do Consórcio PCJ. O que é o Consórcio PCJ: associação de municípios e empresas que gerencia os recursos hídricos e o meio ambiente nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. O estresse hídrico crônico é quando a disponibilidade de água é insuficiente para atender plenamente às demandas da população, da indústria e da agricultura, especialmente durante os períodos de seca. Seca histórica derruba volume do Cantareira e coloca abastecimento de São Paulo em risco em 2026 A disponibilidade hídrica da região chega a ser de 50% das necessidades totais em períodos de estiagem. Isso significa que o planejamento regional deve focar em reservar água suficiente para cobrir os outros 50% que não estão disponíveis nos rios, afirmou o especialista. Segundo Lahóz, o cenário também é composto por: Histórico de criticidade de abastecimento e avanço de estiagens prolongadas de abril a dezembro; Pressão demográfica e econômica crescente. "A região do PCJ já tem quase 6 milhões e meio de habitantes. É uma das regiões que mais cresce no Brasil, porque é uma região extremamente atrativa, é o segundo parque industrial do Brasil [...] há uma grande oferta de empregos, de universidades e de saúde pública", afirma Lahóz. Bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) Consórcio PCJ Soluções Segundo o especialista, a solução passa por ações contínuas e integradas, que vão da proteção de nascentes com florestas até a instalação de cisternas urbanas. Veja abaixo. O especialista indicou o armazenamento de água da chuva com cisternas em casas, empresas e indústrias. “Se toda a indústria do município construir uma cisterna já retarda a necessidade de outras ações. Se os shoppings centers desistirem usar a área abaixo dos seus estacionamentos para fazerem cisternas, as águas armazenadas de chuva poderão resolver o problema de sanitários e outras situações”, explica. A nível coletivo, ele indicou a construção de grandes represas regionais e municipais para armazenamento de água durante o período de chuva. A medida visa diminuir a dependência de cursos d’água, poços artesianos e promove mais segurança em casos, inclusive, de contaminação acidental de rios. Um levantamento realizado pelo g1 mostrou que cidades maiores, como Limeira e Piracicaba, ainda dependem de rios. A proteção de nascentes, com florestas em pé, e uma forte sensibilização para o uso racional da água também devem fazer parte da segurança hídrica, informou o especialista. Represa de Santa Bárbara d'Oeste tem patrulhamento com drone Divulgação/ Prefeitura de Santa Bárbara d'Oeste Poços artesianos Diferente de outras regiões, que utilizam o Aquífero Guarani, o subsolo da região PCJ é considerado "pobre", segundo Lahóz. A vazão média dos poços é de apenas três metros cúbicos por hora, o que é suficiente para abastecer cerca de dez pessoas em um dia, afirmou o especialista. Além disso, ele citou que é preciso que água da chuva caia, penetre com a ajuda de florestas e recarregue os lençóis freáticos ao longo de anos, realidade muitas vezes incompatível com as das grandes cidades. Veja os vídeos que estão em alta no g1