Após cheia que atingiu mais de 20 mil pessoas, ruas de Rio Branco são tomadas por lama e lixo: 'Prejuízo'

Recuo de enchente revela cenário de destruição em ruas de Rio Branco Mesmo após a esperada notícia da redução do Rio Acre e o início de vazante da enche...

Após cheia que atingiu mais de 20 mil pessoas, ruas de Rio Branco são tomadas por lama e lixo: 'Prejuízo'
Após cheia que atingiu mais de 20 mil pessoas, ruas de Rio Branco são tomadas por lama e lixo: 'Prejuízo' (Foto: Reprodução)

Recuo de enchente revela cenário de destruição em ruas de Rio Branco Mesmo após a esperada notícia da redução do Rio Acre e o início de vazante da enchente que atingiu mais de 20 mil pessoas na capital, moradores continuam preocupados. É que as ruas tomadas pela água agora revelam um cenário de destruição, com lama e lixo espalhados. Rio Branco vive, em pleno mês de dezembro, um cenário que não se repetia há 50 anos para a época: alagações provocadas por fortes chuvas registradas na última semana que fizeram igarapés e o Rio Acre transbordarem no sábado (27). 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Na região da Baixada da Sobral, que concentra diversos bairros em uma área às margens do manancial, é possível perceber a dimensão dos estragos. A dona de casa Maria Dorismar, moradora da Travessa Campinas, diz estar apreensiva devido ao risco de contaminações nos locais invadidos pela água. "Nós aqui, a maioria tem pessoa aqui doente, tem criança, recém-nascidos. E essa água é contaminada e tem um cheiro horrível", comenta. Baixada da Sobral foi uma das regiões mais atingidas pelas enxurradas Amanda Oliveira/Rede Amazônica Acre LEIA MAIS: Contato com água de enchentes aumenta risco de doenças, alerta infectologista Por que Rio Branco teve enchente histórica em dezembro? Entenda fenômeno que causou fortes chuvas Com mais de 20 mil moradores atingidos pela cheia, Rio Branco mantém situação de emergência Por conta de cheias, Acre decreta situação de emergência em cinco municípios O cenário também causa apreensão ao aposentado Sanilton Carrillo, que vive no bairro Habitasa. A água não entrou em sua casa, mas tomou parte da rua. Ele espera que os locais atingidos pela cheia sejam atendidos por operações de limpeza. "Esse lixo é o mais problemático. Que o prefeito se lembre de mandar limpar tudo, porque o prejuízo é aqui. Estou dando até graças a Deus que a água não invadiu minha casa. Eu já estava pensando: 'Como é que eu vou fugir daqui?', relata preocupado. Na terça-feira (30), o nível do rio começou a registrar redução e nesta quarta (31) famílias que estavam em abrigos começaram a retornar para casa. As águas do Rio Acre, principal manancial da capital acreana, seguem recuando e marcam 14,44 metros às 18h desta quarta, menos de 50 centímetros acima da cota de transbordo. Morador da Habitasa espera que o local passe por limpeza devido ao lixo espalhado por enchente Amanda Oliveira/Rede Amazônica Acre Retorno de abrigados Mais de 100 famílias desabrigadas por conta das chuvas no AC começam a retornar para casa O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, destacou que o abrigo montado na Escola Anice Jatene não será totalmente desmontado porque atende também moradores desabrigados pela cheia do Rio Branco. Com a desativação de dois abrigos, os moradores que saíram de casa por conta da cheia seguem nos seguintes abrigos: Escola Maria Lúcia - Bairro Morada do Sol Escola Georgete Eluan Kalume - Bairro Cadeia Velha Escola Marilda Gouveia Viana - Bairro João Eduardo I Escola Estadual Leôncio de Carvalho (abrigo indígena) Escola Ayrton Senna da Silva As famílias recebem nos abrigos acolhimento, alimentação, atendimento em saúde, acompanhamento social e apoio das equipes da Defesa Civil. Há equipes ainda de prontidão para novas remoções, caso o nível do rio volte a subir. O que explica a chuva atípica em Rio Branco que fez Rio Acre transbordar em dezembro Chuvas De acordo com a Defesa Civil Municipal, mais de 20 mil pessoas já foram atingidas por conta da cheia do Rio Acre e enxurradas dos igarapés na capital acreana. As fortes chuvas que atingiram Rio Branco entre a última quinta-feira (25) e sexta-feira (26) provocaram estragos em diferentes regiões da capital. No sábado, o Rio Acre subiu 3,84 metros em menos de 24 horas na capital e ultrapassou a cota de transbordo, de 14 metros, e marcou 14,03 metros. Segundo o coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão, o Rio Acre é monitorado desde 1970 e a única vez que foi registrado tamanho transbordamento em dezembro foi no ano de 1975, há 50 anos. Decretos de emergência A Prefeitura de Rio Branco e o governo do Acre decretaram situação de emergência na última segunda-feira (29) por conta das cheias que atingem a capital e outros municípios do estado. O município confirmou a permanência do decreto municipal nº 1.212 que foi publicado em 14 de março de 2025 e leva em consideração a cheia do Rio Acre, que já desabriga mais de 400 pessoas. Galerias Relacionadas Já o governo do Estado publicou decreto que reconhece emergência de nível 2 em cinco municípios: Rio Branco, Feijó, Plácido de Castro, Santa Rosa do Purus e Tarauacá. Outro ponto citado pela medida, assinada pela governadora em exercício Mailza Assis (PP), é de que as chuvas em Brasiléia já acumularam um total de 436,80 mm em dezembro, sendo que a média esperada para o período é de 222mm. Com isso, o volume no município está 82% acima da estimativa. A medida tem vigência de 180 dias e permite a adoção de ações emergenciais, além de facilitar o acesso a recursos para atendimento às populações afetadas pelas cheias. VÍDEOS: g1