Absolvição por clemência: entenda a decisão do júri de absolver falso médico com 'perdão' por atender sem diploma

Falso médico que forjou a própria morte é absolvido de matar paciente em Sorocaba A absolvição de Fernando Henrique Dardis, falso médico julgado pela mort...

Absolvição por clemência: entenda a decisão do júri de absolver falso médico com 'perdão' por atender sem diploma
Absolvição por clemência: entenda a decisão do júri de absolver falso médico com 'perdão' por atender sem diploma (Foto: Reprodução)

Falso médico que forjou a própria morte é absolvido de matar paciente em Sorocaba A absolvição de Fernando Henrique Dardis, falso médico julgado pela morte da paciente Helena Rodrigues em 2011, também vale pelos crimes de exercício ilegal da medicina e de falsidade documental. O júri foi realizado nesta quinta-feira (26), em Sorocaba (SP). Fernando confessou ter atendido pacientes na Santa Casa de Sorocaba mesmo sem ter um diploma em medicina. Ele também confessou ter forjado a própria morte por medo de ser preso antes do nascimento da filha e de ter falsificado um atestado para adiar o julgamento. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Conforme apurado pela TV TEM, o falso médico foi absolvido dos crimes de exercício ilegal da medicina e de falsidade documental com base no voto de clemência (ou perdão dos jurados), que é quando os jurados reconhecem que o réu cometeu o crime, mas decidem absolvê-lo por razões humanitárias, piedade ou compaixão. Já a acusação de homicídio, referente à morte de Helena Rodrigues, foi julgada como um fato desconexo à ausência de formação em medicina de Fernando. Ou seja, o atendimento do falso médico não teve relação com a morte da paciente, ocorrida 24h depois. A professora de direito penal Juliana Saraiva explica que o voto de clemência é um algo característico nos tribunais de júri popular, pois muitas vezes se dá pela crença dos jurados no perdão por motivos humanitários. LEIA TAMBÉM: Acusado de matar a ex-mulher com tiros na cabeça por não aceitar o fim do relacionamento é condenado a 21 anos de prisão Justiça condena a 48 anos de prisão homem que matou e ateou fogo em corpos de mãe e filha em Laranjal Paulista "Os jurados julgam de acordo com sua íntima convicção, com sua livre convicção. E neste contexto, eles acreditaram, por motivos humanitários, que embora o crime até de fato tenha acontecido (a falsidade documental) ele não deveria ser condenado, não deveria responder por esses crimes. É uma característica específica dos tribunais do júri, que é a livre e íntima convicção que pode levar à clemência", esclarece. O Ministério Público disse que vai recorrer da decisão. Como foi o júri Falso médico é julgado em Sorocaba (SP) Reprodução/TV TEM O julgamento começou às 9h e o resultado foi divulgado por volta das 20h30. Fernando continua preso porque responde por outro crime, em outro processo. Durante o dia, foram ouvidas três testemunhas, sendo uma de acusação e duas de defesa, e o próprio réu foi interrogado. O depoimento do filho da vítima, única testemunha de acusação, foi marcado por tensão. Durante a oitiva, ele apontou para o falso médico e o acusou diretamente: "matou a minha mãe". A defesa, no entanto, questionou a consistência do relato dele em comparação com depoimentos anteriores. Além do filho da vítima, a irmã mais velha de Fernando e um médico legista aposentado também prestaram depoimento como testemunhas de defesa. Outras duas testemunhas arroladas pela defesa foram dispensadas. Initial plugin text Em seu interrogatório, Fernando Dardis confessou a série de mentiras, mas negou a culpa pela morte. Ele admitiu ter fingido cursar medicina para agradar a mãe, o que o levou a conseguir um emprego na Santa Casa. “Comecei a mentir na minha vida e a mentira vai crescendo, é uma bola de neve, um câncer”, disse. Sobre a morte de Helena, Fernando alegou que apenas fazia a triagem e encaminhava os pacientes a outros médicos, sem definir a conduta final do atendimento, e por isso não seria o responsável. Relembre o caso O falso médico Fernando Dardis responde preso pela morte de Helena Rodrigues Reprodução/TV Globo Em outubro de 2011, Helena Rodrigues procurou a Santa Casa de Sorocaba com sintomas de infarto. Ela foi atendida por Fernando Dardis, que se passava pelo médico "Dr. Ariosvaldo" e a diagnosticou com dor nas costas, prescrevendo um analgésico. No dia seguinte, a paciente sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu. Dardis também é acusado pela morte de outra paciente, Therezinha Monticelli Calvim, em um caso que ainda não foi a julgamento. Fernando responde preso pelo crime pelo qual foi acusado pelo Ministério Público (MP). Ele foi detido em junho de 2025, depois que o Fantástico revelou a história. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) também apura o caso. Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM